Quando você deve apertar as mãos com seu concorrente?

Você já pensou em fundir seu negócio com o de seu concorrente? Talvez você já tenha considerado essa possibilidade.

Na minha opinião, a única maneira de unir dois concorrentes é se a sinergia real entre as duas empresas participantes da fusão criar um valor que seja maior do que aquilo que cada empresa individual traz à mesa por conta própria.

No caso das empresas de pequeno porte,  uma fusão bem planejada precisa ter pelo menos os seguintes dois resultados: aumentar o valor de avaliação da empresa (1 + 1 = 3) e reduzir custos e despesas, consequentemente aumentando a lucratividade da empresa.

A estratégia de crescimento através de fusão e aquisição  é muito menos comum em empresas de pequeno porte  do que em empresas médias e grandes. Contudo pode ser, sim, uma ferramenta estratégica eficaz para pequenas empresas em contextos específicos. 

Existem situações no qual faz sentido unir concorrentes locais para ganhar escala, margem e poder de compra.

Um empresário buscando a expansão geográfica para outro país também pode adquirir uma empresa participante  em outra região para entrar rápido no mercado.

Uma outra situação é quando uma empresa decide unir-se ou comprar outra empresa para adquirir outras vantagens como tecnologia, canal de vendas, certificações, licenças ou equipe.

Mesmo não sendo tão comum, algumas  pequenas empresas buscam uma fusão ou aquisição para agregar produtos/serviços complementares para aumentar seu ticket ou cross-sell.

Nos meus 20 anos empreendendo, eu auxilie dezenas de empresários a comprar uma empresa no qual o fundador estava próximo da aposentadoria. Na minha opinião, esta é a razão mais comum no qual o pequeno empresário decide vender a sua empresa.

Existem diversas razões pelo qual a estratégia de crescimento através de  Fusões e Aquisições não é comum nas empresas de pequeno porte. 

A razão principal, na minha opinião, é o acesso limitado ao capital: afinal de contas,  pequenas empresas dependem mais de financiamento bancário.  Além disso, existe realmente o risco de integração entre as empresas participando da fusão. Isso significa que cultura, processos e sistemas pouco padronizados elevam o  risco do sucesso dessa estratégia de crescimento.

Isso sem contar,  que é fundamental uma due diligence, assessoria jurídica/financeira e integração bem realizada e muitas vezes o custo e a complexidade destes exercícios faz com que essa estratégia não seja popular entre os pequenos jogadores.

Existem diversas formas de fusões e aquisições:

  • Fusão horizontal: A fusão horizontal  ocorre quando duas empresas do mesmo setor ou que oferecem produtos/serviços similares se unem. Pode ser uma estratégia interessante para pequenas empresas que buscam aumentar sua competitividade, reduzir custos e expandir sua base de clientes. 

No entanto, para empresas de pequeno porte, há desafios específicos que precisam ser considerados para que a fusão horizontal seja feita corretamente.

Em um mercado super competitivo com muitos participantes , a possibilidade de maior poder de precificação devido a redução da competição não é grande apesar de eliminar um concorrente direto, aumentando a participação de mercado.  

No caso da indústria pode ser que as duas empresas se unindo ganhem economia de escala. Desta maneira, esta fusão aumentará a escala de produção ou operação, o que pode reduzir o custo unitário do produto. Existe a  possibilidade de fazer sinergias em áreas como marketing, logística e distribuição.

Na minha opinião, os dois objetivos principais nesse tipo de fusão é a expansão da base de clientes sem a necessidade de começar do zero e a redução de custos operacionais. 

Pequenas empresas ao se unirem,  consolidam o banco de dados de clientes das duas empresas e podem compartilhar recursos como aluguel, equipe administrativa, ferramentas de software ou sistemas de TI, reduzindo custos fixos.

 Devemos lembrar também que duas empresas têm um poder de negociação maior do que cada uma individualmente. Desta maneira, as empresas conseguem negociar melhores os termos e condições com fornecedores.

Uma fusão horizontal de sucesso é uma no qual cada empresa pode trazer competências que a outra não possui, como especialização em atendimento ao cliente, expertise em marketing ou processos mais eficientes.

Nas empresas de área de tecnologia, é muito comum esse tipo de fusão, porque existem inúmeros casos no qual há uma vantagem de integrar processos ou sistemas mais avançados de uma empresa para outra.

Se as duas empresas possuírem marca conhecida no setor, independente do tamanho do mercado a combinação de duas marcas conhecidas no setor pode gerar maior reconhecimento e credibilidade. 

Desta forma , a fusão pode criar uma marca mais robusta e reconhecida, capaz de competir melhor com empresas maiores.

Contudo, existem grandes desafios nesse tipo de fusão. 

Pequenas empresas geralmente têm culturas organizacionais muito marcadas, e a fusão pode gerar conflitos entre equipes e/ou sócios.

A forma de trabalhar e os valores empresariais são alguns deles. É muito comum aparecer conflitos e disputas entre os funcionários de cada empresa. E quando esses funcionários não se entendem, há a necessidade de fazer demissões e ajustes operacionais. Durante o processo, funcionários podem temer demissões em massa.

Enfim , o custo de integração pode ser muito elevado especialmente quando há necessidade de alinhar sistemas de TI, processos de trabalho e contratos de fornecedores. Integrar sistemas, processos e equipes pode ser mais complicado do que parece, especialmente se as operações das empresas forem muito diferentes.

A perda de cliente em uma fusão horizontal é extremamente comum. Eu já participei diretamente de fusões horizontais no qual muitos clientes foram embora. Clientes podem sentir desconfiança durante o processo de fusão e buscar outras alternativas,  especialmente quando existe diferenças no atendimento ao cliente que podem levar à insatisfação. 

Pequenas empresas muitas vezes dependem da confiança e do relacionamento pessoal com seus clientes. Uma fusão pode diluir essa relação e causar perda de clientes.

Um dos elementos fundamentais que deve ser visto em uma fusão desse tipo é o possível desequilíbrio financeiro que pode ser causado depois da fusão. Se uma das empresas tem dívidas ou problemas financeiros, isso pode impactar negativamente a fusão.

O que eu acho que deve ser feito para evitar uma fusão horizontal fracassada?

Eu já participei diretamente de várias fusões horizontais entre empresas do mesmo setor. 

Algumas sucederam e algumas fracassaram.

O maior erro que o empresário pode cometer durante uma fusão é a realização de uma diligência simplificada ou até mesmo a ausência desta diligência.

É essencial analisar vários elementos da empresa que vai ser adquirida.  Por exemplo: situação financeira (dívidas, fluxo de caixa, faturamento),carteira de clientes,fornecedores e contratos existentes, processos e sistemas internos , cultura empresarial e valores.

No meu caso, por exemplo, quando eu compro um escritório de contabilidade, eu sempre verifico se a empresa de contabilidade que eu vou comprar tem práticas e softwares compatíveis com as da minha empresa. 

Se os dois sócios das empresas não se entenderem, a fusão não terá sucesso. É fundamental alinhar as expectativas dos sócios.Os proprietários devem discutir claramente os objetivos da fusão: crescimento, redução de custos, expansão de mercado, etc.

Um dos conflitos mais comuns é quando um sócio quer crescer rapidamente e outro sócio prefere manter a operação pequena e estável.

Unificar a integração operacional das empresas não é sempre uma tarefa fácil. Alguém tem que ser responsável em definir como as operações serão unificadas incluindo:  padronização de processos, escolha de softwares ou ferramentas comuns e distribuição de responsabilidades entre os sócios e equipes.

Não existe fusão sem comunicação. Manter equipes e clientes informados sobre as mudanças é essencial. Os funcionários devem entender seu papel na nova empresa. Os clientes também devem entender quais serão os benefícios dessa fusão.  

Um dos exercícios que eu sempre faço é identificar os principais clientes de cada empresa e criar estratégias para garantir sua retenção durante e após a fusão.

Muitos empresários preferem comprar o competidor do que se juntar para evitar problemas de conflito de caráter de liderança.

Como definir quem será o responsável por liderar a nova empresa? Escolher a liderança adequada é fundamental para o sucesso dessa fusão. Além de escolher quem será o líder, ainda tem que dividir as responsabilidades específicas entre cada sócio. Lembrando, cada empresa só tem um líder.

Se eu pudesse dar somente uma sugestão ou uma dica caso você esteja considerando uma fusão horizontal,seria de que voce empresário sempre preparar um plano de contingência. Os empresários envolvidos devem estar preparado para lidar com desafios que possam surgir, como perda de clientes, conflitos internos ou dificuldades financeiras.

  • Fusão vertical: A fusão vertical ocorre quando uma empresa adquire ou se une a outra que pertence a uma etapa diferente da cadeia de produção ou distribuição. Em pequenas empresas, isso pode significar, por exemplo, um fabricante adquirindo um fornecedor de matérias-primas ou um distribuidor que comercializa seus produtos. Esse tipo de fusão é uma estratégia poderosa para controlar custos, garantir qualidade e melhorar a eficiência operacional.

As duas grande vantagens de uma fusão vertical é a redução do custo operacional e o maior controle sobre a cadeia de suprimento.

Ao integrar uma etapa anterior (fornecedor) ou posterior (distribuidor) da cadeia de valor, a empresa reduz os custos associados a terceiros, como taxas de distribuição e margens de lucro cobradas por fornecedores.

A fusão vertical oferece mais controle sobre a qualidade, preço e disponibilidade de insumos, além de garantir que os produtos cheguem ao cliente final sem atrasos.

Na maioria dos casos, a empresa que está comprando está sempre buscando aumentar a sua margem de lucro. Eu duvido que exista  algum empresário experiente disposto a  fazer uma aquisição vertical sem fazer as contas antecipadamente. Afinal de contas, na maioria dos casos, ao eliminar intermediários, a empresa pode capturar a margem de lucro que antes ficava com o fornecedor ou distribuidor.

Na área da tecnologia, que eu já venho atuando por muitos anos, muitas fusões verticais buscam a melhoria da experiência do cliente. Quando uma empresa controla mais etapas do processo, ela pode oferecer um serviço mais consistente e personalizado ao cliente final.

Além disso, o empresário busca vantagem competitiva. Ao se tornarem autossuficientes em parte de sua cadeia de valor, podem oferecer produtos a preços mais competitivos ou com qualidade superior.

Contudo, na minha opinião, a fusão vertical para pequenas empresas traz mais desafios do que a fusão horizontal. 

O maior desafio, na minha opinião, é a falta de experiência na nova atividade. A empresa pode não ter experiência na etapa adquirida da cadeia de valor, o que pode levar a ineficiências ou dificuldades operacionais.

Sabe aquela história do empresário que é especialista na área da cafeteria que tenta adquirir uma fazenda de café e quebra a cara? Pois bem, é isto. Uma coisa é servir o café, outra é produzir.

Comprar ou integrar um fornecedor ou distribuidor pode exigir um investimento inicial significativo, o que pode ser desafiador para pequenas empresas com recursos limitados.

A empresa pode não ter experiência na etapa adquirida da cadeia de valor, o que pode levar a ineficiências ou dificuldades operacionais.

Existe também um risco de concentração de recursos. Ao investir em uma única cadeia de valor, a empresa pode se tornar excessivamente dependente de um mercado ou setor, aumentando os riscos.

Vamos falar um pouco agora sobre a questão operacional. Eu já conheci muitas fusões verticais que deram errado, porque a pequena empresa geralmente possui uma estrutura limitada. Quanto mais etapas da cadeia de valor o empresário quer gerenciar mais complexa fica a operação.

Se já não é fácil gerenciar a sua atividade atual e principal, imagine agora gerenciar outra etapa da cadeia de valor. 

No meu caso, por exemplo, na empresa de contabilidade, eu desenvolvi o meu próprio CRM e  o meu próprio software de gestão quando não existiam boas opções no mercado. Hoje o mercado da contabilidade na questão de tecnologia,  está bem mais desenvolvido, mas antigamente não. Enfim, durante 10 anos, esse software me deu uma vantagem competitiva. Hoje em dia, não existe vantagem nenhuma em desenvolver o seu próprio software, considerando a quantidade de soluções já prontas e com preço acessível no mercado.

Na área da fintech é a mesma coisa. Muitos empresários investiram recurso e tempo  para desenvolver a sua própria tecnologia quando a tecnologia já estava pronta e com preço acessível. Qual é a razão de perder tempo e dinheiro? O foco principal desses empresários era oferecer o serviço de pagamento e remessa para seus clientes. E afinal de contas,  ficaram gastando tempo , energia e quebrando a cabeça no desenvolvimento do software, atrasaram o projeto, perderam o capital, perderam o momento e fracassaram.

Conflitos internos e culturais existem não somente na fusão horizontal, mas também na vertical. Da mesma maneira a integração de duas empresas com culturas diferentes pode gerar conflitos e resistência entre as equipes.

O que  eu acho que deve ser feito para evitar uma fusão vertical fracassada?

Todos os elementos da fusão horizontal são aplicáveis na fusão vertical. Assim como no caso da fusão horizontal, deve ser realizada uma diligência aprofundada. Antes da fusão, é essencial avaliar: situação financeira do fornecedor ou distribuidor, capacidade operacional para atender às necessidades da empresa,qualidade dos produtos ou serviços oferecidos, contratos existentes e possíveis passivos.

Não se esqueça de avaliar a viabilidade financeira. Eu não consigo enxergar uma fusão vertical tendo sucesso sem ter nenhuma economia. É necessário  realizar projeções financeiras para garantir que os benefícios (como redução de custos) superem os custos iniciais e operacionais da fusão.

Uma vez que você, empresário, fez as contas e vale a pena, a próxima fase é planejar a integração operacional das empresas. Você deve definir como os processos das empresas serão integrados considerando: logística e distribuição,sistemas de TI e gestão e alocação de recursos e responsabilidades.

Você, empresário, não pode de forma nenhuma deixar que a integração afete a qualidade do produto ou serviço oferecido ao cliente final. Não se esqueça de oferecer treinamento para que a equipe da nova operação entenda os objetivos da empresa e como se alinhar à cultura da organização.

Assim como uma fusão horizontal, você deve preparar um plano de contingência. Você deve estar preparado para lidar com problemas inesperados, como quedas na demanda ou aumento de custos operacionais.

Ambas as empresas devem possuir objetivos alinhados especialmente em termos de crescimento, qualidade e atendimento ao cliente.

Se eu pudesse dar somente uma sugestão ou uma dica para você pequeno empresário que está disposto a realizar  uma fusão vertical , essa dica seria: Será que você e a sua equipe está capacitada e está disposta a adquirir uma empresa que vocês não possuem experiência anterior?

Existem casos  práticos no qual uma fusão vertical acabou quebrando as duas empresas participantes.

Outro elemento fundamental é que muitas vezes esse fornecedor ou empresa adquirida, também fornece serviços ou produtos para seus competidores diretos. O que pode acontecer é que os seus competidores diretos deixarão de comprar da empresa fornecedora. Isso significa que há o risco desta empresa ter uma perda de faturamento expressivo quando você a compre. Isso pode afetar o desempenho financeiro da empresa levando à falência.

  • Aquisição de ativos: A aquisição de ativos é uma estratégia em que uma empresa adquire apenas determinados bens ou recursos de outra organização, sem assumir a totalidade do negócio, como passivos, contratos ou a operação completa. Esse modelo é amplamente utilizado por pequenas empresas que desejam aumentar sua eficiência, expandir sua capacidade operacional ou melhorar sua competitividade sem os riscos e custos associados a uma fusão ou aquisição completa.

A grande vantagem da aquisição de ativos para pequenas empresas é a eliminação da herança  de passivos financeiros além de outros possíveis riscos pós-aquisição. 

Eu já conselhei centenas de empresários a organizar a compra da empresa de uma forma que elimine a herança de passivos financeiros, dívidas ou contratos problemáticos. Quando você compra uma empresa, você compra todo o histórico dela. Desta forma, uma das maneiras de evitar problemas futuros é incorporar uma nova empresa e preparar a transferência dos bens entre a vendedora e a compradora. 

Além de transferir os bens, pode também ser transferido os contratos com fornecedores e outros terceiros. Vou te dar um exemplo: Um restaurante pode comprar equipamentos de cozinha de outro restaurante que fechou as portas ou que está sendo adquirido, sem precisar adquirir a marca ou os contratos de aluguel. Uma outra forma é registrar uma nova empresa, comprar os bens e equipamentos de cozinha do restaurante que está sendo comprado, transferir o contrato de aluguel ou preparar um novo contrato de aluguel nessa nova empresa e começar do zero. 

Existem casos também que a empresa quem está vendendo os bens está no processo de liquidação. Por exemplo: uma pequena fábrica pode adquirir máquinas usadas de uma empresa em liquidação, sem assumir as dívidas ou custos operacionais dessa empresa.

Existem também inúmeros casos no qual a aquisição de bens é necessária porque essa aquisição foca em uma necessidade específica.A empresa pode adquirir apenas os ativos que realmente trarão benefícios diretos e imediatos, como equipamentos, terrenos, imóveis, marcas ou tecnologia.

A aquisição de ativos pode permitir  que as empresas aumentem rapidamente sua produção ou operacionalidade ao adquirir ativos prontos para uso.

Uma gráfica por exemplo pode adquirir uma impressora de alta capacidade para atender a um aumento na demanda de seus clientes.

A ideia fundamental é não se comprometer com a integração de outra operação. A empresa atual mantém sua estrutura e processos intactos, adicionando apenas os benefícios do ativo adquirido.

Em alguns casos, a aquisição de ativos pode dar acesso a tecnologias, equipamentos modernos de alta qualidade ou propriedades que seriam inacessíveis de outra forma.

Um salão de beleza que adquire equipamentos de última geração de outra empresa pode oferecer serviços mais modernos e atrativos.

A compra de ativos específicos é mais rápida e menos burocrática do que uma fusão ou aquisição completa, permitindo que os benefícios sejam sentidos em curto prazo.

Entretanto, não podemos nos esquecer que esses ativos adquiridos especialmente se forem usados, podem exigir manutenção ou atualizações frequentes, aumentando os custos operacionais. Além disso, alguns certos ativos, como equipamentos ou tecnologias, podem se tornar obsoletos rapidamente, reduzindo seu valor e utilidade. Por exemplo: uma empresa que adquire computadores antigos pode precisar substituí-los em pouco tempo devido a mudanças tecnológicas.

Eu conheci diversos casos no qual ativos adquiridos de empresas em liquidação ou em dificuldades financeiras geralmente não vêm com suporte técnico ou garantias.

Eu me lembro muito bem de um caso muito especial de um cliente que comprou um restaurante e os equipamentos de cozinha usados não tinham acesso à assistência técnica para reparos eles necessitavam ser consertados. 

É fundamental que os ativos adquiridos sejam compatíveis com sistemas ou processos já utilizados pela empresa evitando adaptações que podem ser caras e demoradas.

A falta de conhecimento técnico pode  limitar os benefícios existentes durante a aquisição do ativo. Nesse caso, a empresa deve ter expertise para operar ou gerenciar o ativo adquirido.

Se você é empresário e quer crescer a sua empresa adquirindo ativos, é muito importante que você evite o risco de supervalorização. Você tem que analisar o bem que está sendo adquirido cuidadosamente. Há o risco de pagar mais do que o real valor do ativo, especialmente em situações de pressa ou falta de avaliação detalhada.

O que deve ser feito para evitar problemas uma aquisição de ativos fracassada ?

Antes da compra, é essencial avaliar as condições do ativo, sua vida útil, custos de manutenção e possíveis limitações.

Sempre que possível você empresário deve negociar garantias, suporte técnico e condições de pagamento com o vendedor.

Nunca se esqueça de avaliar a compatibilidade desse ativo com a sua operação existente. Você deve garantir que o ativo adquirido será facilmente integrado aos sistemas e processos existentes na empresa.

É muito importante que você reserve recurso para lidar com possíveis custos adicionais, como manutenção, treinamento ou adaptações. 

Nunca compre um ativo só porque ele é  barato. Você deve priorizar a aquisição de ativos que tragam benefícios claros e imediatos para a sua empresa ou que sejam essenciais para o crescimento da sua empresa.

Se você não conhece o ativo tecnicamente, é muito importante contratar um especialista para fazer uma avaliação. Existem muitos consultores que são especializados para avaliar o valor real e as condições de um ativo antes da compra.

Como você sabe, eu adoro os números, e desta maneira não tem como comprar um bem sem considerar o retorno sobre o investimento. Calcule o potencial de retorno financeiro do ativo em relação ao custo de aquisição.

  • Joint venture: Uma joint venture é uma parceria temporária entre duas ou mais empresas com o objetivo de alcançar um propósito ou projeto específico, compartilhando recursos, competências e riscos. Essa estratégia é especialmente atrativa para empresas de pequeno porte que desejam expandir suas operações, explorar novos mercados ou desenvolver produtos/serviços sem assumir todos os custos e riscos sozinhas.

Existem inúmeras maneiras de crescer uma empresa através de Joint Venture com outras empresas. Porém, eu já vi inúmeros casos de fracasso quando esse conceito é aplicado para empresas de pequeno porte.

A grande vantagem da Joint Venture para pequenas empresas é compartilhar recursos e também o risco. As empresas parceiras podem combinar seus recursos financeiros, tecnológicos e humanos para realizar um projeto que talvez não fosse viável de forma individual. Eu me recordo como uma das empresas que eu participei na área de tecnologia se juntou com outra empresa para desenvolver um aplicativo, dividindo os custos de desenvolvimento e marketing. Nesse caso, os custos e riscos associados deste projeto foram distribuídos entre as empresas reduzindo o impacto de possíveis falhas em cada empresa. 

Porém como as decisões precisavam ser tomadas em conjunto, a joint venture sofreu com a lentidão ou conflitos de interesses na tomada de decisões.

Não tem como ter uma joint venture de sucesso sem as empresas participantes se respeitarem e entenderem qual o limite de cada uma. Uma joint venture pode permitir que as empresas participantes alcancem novos mercados, aproveitando a rede de contatos ou a presença local de um parceiro. Eu vi diversos casos, por exemplo, de empresas brasileiras que através de uma joint venture as permitiram ter acesso a mercados para exportar produtos para outros países. Enquanto uma empresa não passa por cima da outra, a Joint Venture funciona bem.

No caso das pequenas empresas, pode também existir a opção de que cada parceiro traga habilidades e conhecimentos específicos que, combinados, aumentam a eficácia do projeto.

A maioria das joint ventures que eu conheci buscava redução de custos operacionais. A união de forças em uma joint venture pode reduzir custos, como em logística, marketing ou desenvolvimento de produtos. Muitas empresas, por exemplo, compartilham armazém ou transporte durante o projeto conjunto.

O que eu mais gosto de uma joint venture é a flexibilidade. Como a joint venture é temporária, ela pode ser desfeita após o término do projeto, sem compromissos de longo prazo.

Agora, veja bem, é impossível ter uma joint venture sem conflitos de gestão.Diferenças entre as culturas organizacionais, métodos de trabalho ou objetivos estratégicos sempre causarão conflitos entre os parceiros.

As indiferenças sempre aparecem e a divisão de lucros fica cada vez mais disputada.

Como os lucros gerados pela Joint venture compartilhados entre as empresas, essa divisão de lucros pode ser vista como uma desvantagem, caso um dos parceiros sinta que contribuiu mais para o sucesso do projeto. E essa Indiferença mais cedo ou mais tarde  sempre aparece.

Existe também o risco de divulgação de informação confidencial. É muito difícil empresários, donos de pequeno negócio, respeitarem a divulgação de informação confidencial. 

Eu só toparia, na realidade, fazer uma nova joint venture se o sucesso do projeto não dependesse do desempenho exclusivo de um dos parceiros, o que pode ser arriscado se ele não cumprir suas obrigações.

Além disso, seria necessário dividir o controle e as decisões entre as empresas participantes eficientemente. 

Como as decisões precisam ser tomadas em conjunto, a joint venture pode sofrer com a lentidão ou conflitos de interesses na tomada de decisões.

O que deve ser feito para evitar problemas uma joint venture fracassada ?

O erro mais comum de uma joint venture fracassada é a falta da definição de objetivos claros.

 Existe a necessidade de estabelecer metas e expectativas detalhadas para o projeto, com prazos e métricas de sucesso bem definidos.

Agora, o erro mais dolorido é a falta de preparação de um contrato detalhado.

Quando não existe um contrato bem elaborado, a Joint venture geralmente dura pouco tempo. 

Esse contrato deve ter no mínimo: a divisão de responsabilidades e investimentos, a participação nos lucros e prejuízos, o método de resolução de conflitos e a  duração da parceria e os termos de encerramento. Não se esqueça de incluir  cláusulas no contrato para garantir que as informações confidenciais e a propriedade intelectual de cada parceiro sejam protegidas.

Não há como discutirmos a possibilidade de ter um sucesso em uma joint venture sem levarmos em consideração a escolha do parceiro ideal. Se você empresário fizer tudo corretamente, mas escolher um parceiro não compatível, a Joint Venture não terá sucesso. 

Eu não estou dizendo somente avaliar a cultura organizacional de uma empresa, os valores e os objetivos de cada parceiro. A única forma de ter uma joint venture de sucesso é escolher um parceiro compatível. Ele tem que estar alinhado 100% com você.

As pessoas que vão participar diretamente desse projeto também devem ter valores compatíveis. Se necessário, há que estabelecer um grupo de gestão para supervisionar o projeto. Dessa forma, vai ganhar direito a decisões sejam tomadas de forma colaborativa e coletiva.

Uma vez que esta parceria iniciou, há que criar formas de monitorar e avaliar o progresso. se é possível criar sistemas de monitoramento para garantir que o projeto esteja no caminho certo e fazer ajustes conforme necessário.

Se a joint venture tiver começo, meio e fim nunca se esqueça de planejar o encerramento. Defina antecipadamente como a joint venture será encerrada, incluindo a divisão de ativos, lucros e responsabilidades.

 As 5 principais vantagens de apertar as mãos com seu concorrente

Segue abaixo as 5 principais vantagens de apertar as mãos para o seu concorrente:

1) Economizar custos e despesas

Cada empresa individual tem custos diretos como matérias-primas.

À medida que o poder de compra aumenta, melhores preços podem ser negociados para matérias-primas, reduzindo assim os custos diretos. Cada empresa tem despesas como gastos de TI, manutenção de software, custos legais e outros. Todas essas despesas poderiam ser reduzidas. Mas atenção especial deve ser dada às despesas de marketing porque se ambas as empresas estão mirando os mesmos clientes e usam os mesmos canais de marketing, as despesas de marketing poderiam ser  diminuídas.

2) Aumentar o valor da empresa

Na maioria das vezes, uma empresa bem estruturada com 60 funcionários vale mais do que duas empresas com 30 funcionários cada.

A consolidação de operações, seja por meio de parcerias ou fusões, pode resultar em um aumento significativo no valor da empresa.

Isso ocorre porque empresas maiores e mais bem estruturadas geralmente são mais atrativas para investidores, clientes e até mesmo para o mercado como um todo. Afinal de contas, uma empresa consolidada tem maior eficiência operacional, se beneficia de economias de escala tem maior poder de mercado e se tornam mais atrativas para investidores.

3) Reduzir custos de troca de clientes

Foi comprovado que o preço de adquirir um novo cliente é maior do que manter um existente, especialmente nas empresas  de serviços. Toda vez que um cliente troca de fornecedor, há um custo de aquisição para trazer esse cliente de volta. A fusão poderia reduzir drasticamente esses custos, pois a probabilidade do cliente trocar de empresa diminui.

4) Aumentar a eficiência

Cada empresa participante da fusão precisaria trazer à mesa aquilo que faz melhor. Talvez os processos de uma empresa sejam melhores que os da outra, resultando assim em uma melhoria na eficiência da empresa.

O aumento da eficiência também está ligado ao aumento da produtividade, que resulta em aumento da lucratividade.

5) Melhor uso dos departamentos de apoio

Todas as empresas têm departamentos de apoio como o departamento financeiro, administrativo, de marketing e de TI. Às vezes esses departamentos não estão trabalhando em sua capacidade total, então unir ambas as empresas poderia significar um aumento em sua eficiência, o que se traduz em aumento da lucratividade da empresa.

Fusões e Aquisições (F&A) para empresas de pequeno porte: vantagens e desvantagens em diferentes fases do ciclo de crescimento

Fusões e aquisições (F&A) podem ser ferramentas poderosas para empresas de pequeno porte ao longo das diferentes fases do ciclo de crescimento. No entanto, os impactos e resultados variam conforme o estágio em que a empresa se encontra. Abaixo, apresento uma análise detalhada das vantagens e desvantagens de F&A para empresas de pequeno porte, considerando as etapas: fase inicial/sobrevivência, crescimento, maturidade e declínio/renovação.

  1. Fase Inicial/Sobrevivência

Nesta etapa, a empresa está começando suas operações (Startup/Lançamento) ou tenta estabilizar-se financeiramente (Sobrevivência). O foco está em validar o modelo de negócios, conquistar um mercado viável e estabilizar o fluxo de caixa.

Vantagens

  • Acesso a Recursos Críticos: F&A pode trazer capital, tecnologia, expertise ou infraestrutura que a empresa não possui. 

Exemplo: Uma startup pode ser adquirida por uma empresa maior para acelerar o desenvolvimento de um produto ou serviço inovador.

  • Redução de Riscos: Parcerias ou aquisições permitem compartilhar os riscos financeiros e operacionais. 

Exemplo: Uma pequena empresa em dificuldades pode se fundir com outra para dividir custos e responsabilidades.

  • Credibilidade e Reputação: Associar-se a uma marca consolidada pode aumentar a confiança de investidores e clientes.
  • Economia de Escala: A fusão permite que as empresas consolidem recursos, reduzindo custos operacionais e aumentando sua competitividade.

Desvantagens

  • Perda de Controle: Fundadores ou gestores podem perder autonomia sobre a estratégia da empresa ao se associar a outra.
  • Integração Complexa: Empresas em estágio inicial ou de sobrevivência geralmente têm processos e estruturas ainda em desenvolvimento, o que pode dificultar a integração. 

Exemplo: A fusão de uma startup com uma empresa maior pode gerar conflitos de gestão.

  • Pressão por Resultados Rápidos: Investidores ou a empresa adquirente podem exigir resultados imediatos, prejudicando o desenvolvimento a longo prazo.
  • Cultura Organizacional Conflitante: A falta de alinhamento entre as culturas e valores das empresas pode dificultar a parceria.

2. Fase de Crescimento

Nesta fase, a empresa já encontrou um mercado viável e busca expandir sua participação, aumentar sua base de clientes ou entrar em novos mercados.

Vantagens

  • Aceleração da Expansão: Fusões ou aquisições permitem que uma empresa cresça mais rápido do que seria possível organicamente. 

Exemplo: Uma pequena empresa local pode adquirir outra em uma região diferente para ampliar sua presença geográfica.

  • Fortalecimento da Competitividade: Ao se unir a um concorrente ou parceiro complementar, a empresa pode consolidar sua posição no mercado. 

Exemplo: Duas empresas de tecnologia podem se fundir para oferecer um portfólio mais robusto de produtos ou serviços.

  • Sinergias Operacionais: A integração de processos, tecnologia e infraestrutura pode reduzir custos e aumentar a eficiência.
  • Acesso a Novos Mercados ou Produtos: A aquisição de uma empresa com expertise ou produtos complementares pode abrir novos segmentos de mercado ou diversificar a oferta.

Desvantagens

  • Custo Elevado: Realizar fusões ou aquisições durante a fase de crescimento pode ser caro, especialmente se a concorrência no mercado for alta.
  • Riscos de Superexpansão: Um crescimento muito rápido pode comprometer a capacidade da empresa de gerenciar suas operações de forma eficiente. 

Exemplo: Uma pequena varejista que adquire várias lojas de uma vez pode enfrentar dificuldades para integrar as operações.

  • Conflitos de Gestão: Diferentes estilos de liderança e cultura organizacional podem dificultar a integração entre as empresas.
  • Foco no Curto Prazo: A pressão para aumentar receitas rapidamente pode prejudicar o planejamento de longo prazo.

3. Fase de Maturidade

Na fase de maturidade, a empresa já alcançou estabilidade no mercado e possui processos bem definidos. O desafio principal é manter o crescimento em um mercado saturado ou com margens de lucro reduzidas.

Vantagens

  • Diversificação de Produtos ou Serviços: A fusão com outra empresa pode permitir a entrada em novos segmentos de mercado. 

Exemplo: Uma pequena empresa de alimentos pode adquirir uma empresa de bebidas para oferecer um portfólio mais completo.

  • Aumento de Margens de Lucro: Sinergias operacionais, como a consolidação de operações ou redução de custos redundantes, podem aumentar a rentabilidade.
  • Maior Poder de Mercado: A união com outra empresa pode fortalecer a posição competitiva, criando barreiras para novos concorrentes.
  • Acesso a Novas Tecnologias ou Expertise: A aquisição de uma empresa inovadora pode ajudar a modernizar processos e manter a relevância no mercado.

Desvantagens

  • Resistência à Mudança: Empresas maduras tendem a ter estruturas rígidas, o que pode dificultar a adaptação a novos processos ou modelos de negócios.
  • Perda de Agilidade: A fusão com outra organização pode tornar os processos decisórios mais lentos e burocráticos.
  • Foco na Integração: O esforço para integrar as empresas pode desviar recursos e atenção da operação principal.
  • Risco de Estagnação: Se a fusão não for bem planejada, pode reforçar processos antigos e inibir a inovação necessária para competir em mercados em constante evolução.

4. Fase de Declínio ou Renovação

Nesta etapa, a empresa enfrenta queda nas vendas, perda de relevância no mercado ou desafios financeiros. Alternativamente, ela pode buscar renovação para reverter o declínio.

Vantagens

  • Oportunidade de Renovação: Uma fusão ou aquisição pode trazer novos recursos, ideias ou energia para revitalizar a empresa. 

Exemplo: Uma empresa em declínio pode ser adquirida por outra que introduza novas tecnologias ou modelos de negócios.

  • Acesso a Novos Mercados: A união com uma empresa de outro segmento ou região pode abrir novas oportunidades de crescimento.
  • Aproveitamento de Ativos Subvalorizados: Empresas em declínio podem ser adquiridas a preços baixos, representando uma oportunidade para reestruturação.
  • Redução de Custos: A fusão pode permitir a eliminação de processos redundantes e a redução de custos operacionais.

Desvantagens

  • Integração de Empresas Problemáticas: Empresas em declínio podem trazer passivos financeiros, dívidas ou problemas estruturais que dificultam a recuperação.
  • Foco no Curto Prazo: A pressão por resultados rápidos pode levar a decisões que não beneficiam a empresa a longo prazo.
  • Perda de Identidade: Uma fusão ou aquisição durante o declínio pode resultar na perda da marca ou cultura organizacional que diferenciava a empresa no mercado.
  • Risco de Falhas: Se a fusão ou aquisição não for bem executada, pode acelerar o colapso da empresa em vez de salvá-la.

Resumo das Vantagens e Desvantagens em Cada Fase

FaseVantagensDesvantagens
Inicial/SobrevivênciaAcesso a recursos, redução de riscos, economia de escalaPerda de controle, integração difícil, pressão por resultados rápidos
CrescimentoAceleração da expansão, fortalecimento competitivo, sinergias operacionaisCustos elevados, riscos de superexpansão, conflitos de gestão
MaturidadeDiversificação, maior poder de mercado, aumento de margensResistência à mudança, perda de agilidade, risco de estagnação
Declínio/RenovaçãoRenovação da empresa, acesso a novos mercados, redução de custosIntegração de empresas problemáticas, perda de identidade, foco no curto prazo

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Não há como ser empresário sem explorar o tema do crescimento e da lucratividade da empresa. Uma vez que a empresa esteja aberta
Nos últimos 20 anos, vi empreendedores sendo bem-sucedidos em mais de um negócio durante sua jornada empresarial.
Nos últimos 20 anos eu ajudei muitos empresários em diversos setores de mercado e de fato uma das coisas que aprendi é que a falta de educação financeira  do empresário pode levar 

Como começar seu negócio próprio

O conteúdo deste guia é o resultado de mais de 10.000 consultas e operações do dia a dia com empreendedores em todas as etapas de seus negócios. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

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