Muitos empreendedores abrem seus negócios usando capital próprio. Em alguns casos, empresários fazem. empréstimos pessoal para começar a sua empresa. A obtenção de crédito na fase inicial da empresa é muito mais difícil que a obtenção de crédito uma vez que a empresa já esteja operando. Geralmente, bancos tradicionais exigem que a empresa esteja operando por pelo menos entre 12 a 24 meses com demonstrações financeiras consistentes para aplicação de um empréstimo.
O acesso ao crédito continua sendo um desafio para pequenos empresários no Brasil e no exterior. Muitas pequenas empresas enfrentam dificuldade e obstáculos para obter crédito bancário, com taxas de aprovação consideravelmente menores que as empresas de médio e grande porte.
Um outro fator extremamente importante é a taxa de juros. Na minha opinião, a taxa de juros é o principal obstáculo pelo qual empresários decidem não tomar empréstimos bancários.
A taxa de juros é o custo do dinheiro emprestado. Em outras palavras, é o valor cobrado pelo uso do capital de terceiros (quando você toma emprestado).
Quando a taxa de juros está muito alta, há uma desincentivação de aplicar para um empréstimo, uma vez que o custo do dinheiro será muito alto. Muitas vezes, não vale a pena para o empresário crescer sua empresa com um custo financeiro muito alto.
A taxa de juros varia de acordo com diversos fatores, como, por exemplo, o risco do tomador. Isso significa que empresas que possuem melhor histórico de crédito conseguem taxas melhores.Empresários que possuem bens, como por exemplo imóveis, que podem ser oferecidos como garantia ( capacidade de oferecer colaterais), geralmente recebem taxas menores. As condições macroeconômicas de um país que o empresário não consegue controlar, como, por exemplo, inflação e política monetária, podem também influenciar enormemente no valor da taxa de juros do mercado.
Nos últimos 20 anos, eu ajudei centenas de pequenos empresários a aplicar para empréstimo empresarial em bancos e em outras instituições financeiras no Brasil e no exterior. Empresas que já possuem anos de mercado (empresas mais maduras) têm maior facilidade para obter crédito. O relacionamento prévio com instituições financeiras também devem ser levado em consideração. Dessa forma, é muito importante que o empresário sempre mantenha um bom histórico no banco. Para efeito de empréstimo, é muito importante que o empresário gerencie a conta da empresa da melhor maneira possível. Não adianta nada a empresa ter um ótimo faturamento e a conta bancária estar sempre no negativo.
Atualmente, muitos credores também levam em consideração a análise do perfil do diretor e acionista de uma empresa. Desta forma, é muito importante que o empresário e o diretor da empresa mantenham a sua situação financeira em dia. Outros credores também analisam a participação do diretor e do empresário em empresas anteriores. Se o mesmo empresário teve participação em outras empresas com inadimplência ,o banco pode também recusar a aplicação de um empréstimo empresarial.
As empresas que possuem seus demonstrativos financeiros organizados em dia têm maior chance de aprovação.
O que é o empréstimo empresarial?
Empréstimo é um tema que sempre chamou a minha atenção.
Qualquer empréstimo tem sempre dois participantes: o credor e o devedor. O credor empresta o dinheiro ao devedor, e este precisa utilizá-lo adequadamente para compensar o custo financeiro do empréstimo. O custo de contrair esse dinheiro é o que comercialmente conhecemos como juros do empréstimo.
Um empréstimo empresarial é uma operação financeira na qual uma empresa obtém recursos monetários de um credor (como bancos, instituições financeiras ou outros fornecedores de crédito), comprometendo-se a devolver esse valor acrescido de juros em um prazo determinado.
Empréstimos empresariais geralmente têm objetivos definidos, como expandir o negócio, obter capital de giro, comprar ativos, pagar impostos, financiar campanhas de marketing ou contratar funcionários.
Quais são os tipos de empréstimos empresariais que existem?
Existem diversos tipos de empréstimos empresariais. É muito importante que o empresário escolha corretamente qual é o tipo de empréstimo que ele quer obter para escolher o produto correto de acordo com a necessidade e finalidade de utilização.
Vou dar um exemplo: você empresário não deveria, de forma alguma utilizar o overdraft da sua empresa para financiar a compra de mercadoria dos seus fornecedores. Este custo financeiro seria estratosférico, e levaria sua empresa à ruína.
Produtos financeiros de curta duração devem ser utilizado para finalidades também de curta duração. Se você empresário quer expandir seu negócio nos próximos 3 e 5 anos, você pode aplicar para um empréstimo e pagar o seu credor entre 3 e 5 anos.
Se você está precisando de dinheiro imediatamente porque é uma situação crítica, emergencial, porém somente de alguns dias para cobrir o saldo negativo da sua conta bancária, você pode utilizar o overdraft do seu banco.
Se você está buscando comprar equipamentos que tem uma duração longa ( geralmente mais de 5 anos) , você pode fazer a aplicação de um produto financeiro especial conhecido como financiamento de equipamento. ( em inglês asset finance)
Se você quer comprar uma propriedade, deve aplicar para um mortgage.
Resumindo, você tem que ter a certeza de que você utilizará o empréstimo de acordo com a finalidade da aplicação.
Tipos de Empréstimos Empresariais – garantidos e não garantidos
Existem basicamente dois tipos de empréstimos: garantidos e não garantidos. Empréstimos garantidos são operações nas quais o tomador fornece um ativo (na maioria das vezes um imóvel, às vezes um carro) como colateral. Se o devedor não pagar o empréstimo, o credor tem o direito legal de tomar posse desse ativo e vendê-lo para recuperar o valor devido. O empréstimo com garantia geralmente oferece taxa de juros mais baixa devido ao menor risco para o credor.
Por outro lado, empréstimos não garantidos não exigem garantias físicas, então não há nada para ser tomado em caso de inadimplência. Geralmente o empréstimo sem garantia tem taxa de juros mais alta devido ao risco mesmo que frequentemente eles exigem aval pessoal do empresário.
É importante lembrar que, mesmo que o empréstimo empresarial seja não garantido, isso não significa necessariamente que você (como diretor ou acionista) não será pessoalmente responsável por pagar o empréstimo caso a empresa não consiga honrar o pagamento. A grande maioria dos credores no mercado (bancos tradicionais e outras instituições financeiras) exige que o diretor ou acionista da empresa seja, por fim, pessoalmente responsável pelo pagamento do empréstimo (o indivíduo também é conhecido como avalista do empréstimo).
Capital de Giro
Esse tipo de empréstimo é destinado a financiar as operações diárias de uma empresa. O capital de giro tem um prazo geralmente mais curto do que os empréstimos tradicionais. Eles possuem um prazo geralmente de 6 a 24 meses e é ideal para cobrir despesas operacionais , estoque e contas a pagar.
Financiamento de Equipamentos
Este produto financeiro é específico para empresas que querem comprar máquinas e equipamentos, Em alguns casos, o próprio bem adquirido inclusive serve como garantia para a financeira. Este tipo de financiamento permite ter prazos mais longos, geralmente estão alinhados com a vida útil do equipamento que está sendo comprado.
Antecipação de Recebíveis
Este produto é muito interessante para empresas que possuem faturas para receber a prazo. No Reino Unido conhecemos este produto como Invoice Discounting.
Se a sua empresa recebe cartão de débito ou crédito, vale muito a pena você analisar a opção do Cash Advance. No Reino Unido, é mais conhecido como Merchant Cash Advance (MCA). Este produto financeiro é uma forma de financiamento para empresas, onde um prestador de serviços fornece um adiantamento em dinheiro em troca de uma porcentagem das vendas futuras da empresa.
Microcrédito
Este produto é mais comum em alguns países. Geralmente são créditos de valores menores destinados a pequenos negócios. O processo de aplicação é simplificado e a aprovação geralmente é rápida.
Linhas de Crédito Rotativas
Este produto financeiro é uma linha de crédito no qual bancos, por exemplo, pré-aprovam limites da sua conta que pode ser utilizado de acordo com a necessidade da sua empresa. Neste caso, pagam-se somente juros apenas sobre o valor utilizado. É similar a um cheque especial no Brasil, porém, geralmente com taxas mais atrativas. Você, empresário, deve evitar utilizar linhas de crédito rotativas para financiar expansão ou compra de estoque por causa do seu alto custo financeiro para manutenção e aquisição do empréstimo.
Overdraft
É um recurso que permite que o cliente do banco gaste mais do que possui em sua conta corrente até um determinado limite.O overdraft é frequentemente usado para cobrir despesas inesperadas ou para evitar a devolução de cheques.Os juros são cobrados sobre o saldo negativo, e as taxas podem ser mais altas do que as de uma linha de crédito rotativa.O overdraft pode ser considerado um recurso de curto prazo e, em muitos casos, é menos flexível do que uma linha de crédito rotativa.
Quem são os credores que fazem empréstimos no mercado para empresas?
A maior parte do crédito empresarial é concedida por bancos e outras instituições financeiras.
No Reino Unido de acordo com publicações do Banco da Inglaterra ( Bank of England ) estimativas recentes colocam a parcela do financiamento externo provido por bancos para pequenas empresas na faixa de 70% a 85%, dependendo da definição e do período analisado.
No Brasil, algo como 85% do crédito empresarial é originado por bancos (bancos múltiplos/comerciais e bancos públicos). Cooperativas, financeiras, fintechs e outras IFs somam a maior parte do restante.
Nos Estados Unidos, a dependência de bancos é muito alta: tipicamente 60%–80% do crédito a PMEs passa por bancos (incluindo linhas tradicionais e operações apoiadas pela SBA). Fintechs, CUs e credores não bancários vêm ganhando participação, mas partem de base menor.
É por isso que eu sempre recomendo qualquer empresário a não somente ter conta empresarial em bancos digitais, e sim em bancos tradicionais. A maioria dos bancos digitais não possuem autorização para fazer empréstimo.
Vamos agora analisar quais são os principais credores no mercado e suas características individuais.
Principais Credores no Mercado
- Bancos Tradicionais
- Oferecem diversas modalidades de crédito empresarial
- Geralmente exigem mais documentação e garantias
- Tendem a ter taxas mais competitivas para clientes antigos
- Processo de análise mais rigoroso e demorado
- Instituições Financeiras Especializadas
- Focadas em determinados segmentos ou tipos de crédito
- Podem ter processos mais ágeis que bancos tradicionais
- Geralmente cobram taxas mais altas que os bancos
- Fintechs de Crédito
- Utilizam tecnologia para simplificar o processo de empréstimo
- Análise baseada em algoritmos e dados alternativos
- Geralmente oferecem experiência totalmente digital
- Podem ter taxas competitivas para compensar a ausência de estrutura física
- Cooperativas de Crédito
- Instituições financeiras formadas por associados
- Frequentemente oferecem taxas mais atrativas para cooperados
- Tendem a ter atendimento mais personalizado
- Agências de Fomento e Bancos de Desenvolvimento
- Oferecem linhas de crédito com condições diferenciadas
- Foco em desenvolvimento regional ou setorial
- Geralmente têm taxas subsidiadas e prazos mais longos
Qual a diferença entre os credores acima ?
- Taxas de juros: Bancos tradicionais e cooperativas geralmente oferecem taxas mais baixas que fintechs e instituições financeiras especializadas.
Bancos tradicionais e cooperativas geralmente oferecem taxas mais baixas que fintechs e instituições especializadas porque têm custo de captação menor (através de depósitos e poupança), economia de escala que dilui custos operacionais, e relacionamento longo com clientes que permite melhor avaliação de risco e exigência de garantias mais robustas.
Ja as fintechs dependem de capital mais caro de investidores, atendem nichos de maior risco e precisam de retornos altos para sustentar crescimento, resultando em spreads maiores.
- Agilidade: Fintechs tendem a ter processos mais rápidos que bancos tradicionais.
Fintechs tendem a ter processos mais rápidos que bancos tradicionais porque operam com tecnologia 100% digital, algoritmos de decisão automatizados que analisam crédito em tempo real, estrutura organizacional enxuta com menos burocracia e cultura orientada para velocidade, permitindo aprovações em minutos ou horas versus dias ou semanas dos bancos. Enquanto bancos tradicionais são limitados por sistemas legados, processos de compliance rigorosos, estrutura hierárquica com múltiplas aprovações e cultura conservadora que exige análises detalhadas, as fintechs conseguem oferecer experiência mobile first otimizada e decisões baseadas puramente em dados criando um trade-off onde a velocidade compensa taxas mais altas, especialmente para capital de giro urgente, sazonalidade, emergências operacionais ou empresas que valorizam agilidade acima de tudo.
- Exigências: Bancos de desenvolvimento e agências de fomento frequentemente têm requisitos específicos relacionados ao propósito do empréstimo porque sua missão é promover desenvolvimento econômico, social e setorial através de recursos públicos que devem ser aplicados estrategicamente conforme políticas públicas e mandatos legais.
- Relacionamento: Bancos tradicionais e cooperativas valorizam o histórico de relacionamento, enquanto fintechs focam mais em dados objetivos.
Bancos tradicionais e cooperativas valorizam o histórico de relacionamento, enquanto fintechs focam mais em dados objetivos porque representam filosofias distintas: bancos tradicionais utilizam análise qualitativa baseada em anos de movimentação, produtos utilizados, conhecimento pessoal do gerente e contexto empresarial, oferecendo flexibilidade para situações atípicas e condições personalizadas, mas com processo mais lento e possível barreira de entrada para novos clientes; já fintechs empregam algoritmos de machine learning que processam dados quantitativos (scores, Open Banking, informações públicas, comportamento digital) para decisões automatizadas em tempo real, garantindo velocidade, democratização do acesso e transparência nos critérios, porém com rigidez para casos específicos e limitação contextual , criando um trade-off onde relacionamento oferece personalização versus dados objetivos que proporcionam agilidade e escalabilidade.
Quais são as razões para aplicar para um empréstimo empresarial?
É muito importante que o empresário entenda a real razão que a empresa vai aplicar para o empréstimo empresarial. Dessa forma, cada produto financeiro tem uma utilização ideal em função da sua finalidade. Durante os 20 anos que eu dou consultoria para diversas empresas no Brasil e no exterior, eu vi diversos casos de empresários que fizeram aplicação para um produto financeiro para uma razão incorreta. Muitos empresários acabam aplicando para empréstimo ou capital de giro com prazo longo, porém a necessidade real é a curto prazo. Isso significa que a obtenção desse empréstimo custará um valor financeiro desnecessário para uma necessidade temporária.
Um outro erro muito comum é um investimento fixo com prazo curto. Nesse caso, o empresário obteve um produto financeiro que deve ser pago rapidamente para comprar, por exemplo, um investimento fixo, como por exemplo um equipamento. Neste caso cria um descasamento temporal entre o prazo de pagamento do financiamento e o período de retorno do investimento, gerando pressão insustentável no fluxo de caixa e alto risco de inadimplência. Uma outra situação comum é quando o empresário oferece garantias excessivas. Ele compromete o patrimônio dele desnecessariamente.
A finalidade do empréstimo impactará diretamente nos termos do empréstimo, como por exemplo: o valor da taxa de juros, o prazo de pagamento, as garantias exigidas, a carência e a liberação. A finalidade do empréstimo também impactará na análise de viabilidade do empréstimo como por exemplo: a capacidade de pagamento deve considerar quando que o investimento vai gerar retorno, o fluxo de caixa projetado conforme a natureza da aplicação, o risco da operação avaliado pela instituição financeira e a documentação que vai ser exigida para cada finalidade.
Razões mais comuns para solicitar um empréstimo empresarial
Segue abaixo o resumo das razões para solicitar um empréstimo empresarial:
1. Capital de Giro ( Working capital )
- Quando usar:
- Financiar operações do dia a dia
- Compra de matéria-prima e mercadorias
- Pagamento de fornecedores
- Cobrir sazonalidade de vendas
- Equilibrar fluxo de caixa
Produtos adequados:
- Conta garantida/Cheque especial empresarial
- Crédito rotativo
- Antecipação de recebíveis
- Desconto de duplicatas( Invoice discounting )
- Working Capital (bancos internacionais)
Características:
- Prazos curtos (30-180 dias)
- Taxas mais altas (maior rotatividade)
- Liberação imediata
- Sem carência
- Garantias simples
2. Investimento Fixo ( Asset acquisition )
Quando usar:
- Compra de máquinas e equipamentos
- Construção ou reforma de instalações
- Modernização tecnológica
- Expansão da capacidade produtiva
- Aquisição de veículos comerciais
Produtos adequados:
- Financiamento de máquinas e equipamentos ( Asset finance )
- CDC empresarial ( Crédito Direto ao Consumidor Empresarial
- Leasing operacional/financeiro
- FINAME (equipamentos nacionais) ( somente no Brasil)
- Linhas do BNDES ( somente no Brasil )
Características:
- Prazos longos (12-120 meses)
- Taxas menores (garantia real)
- Liberação conforme cronograma
- Carência para início do pagamento
- Garantias robustas (próprio bem, avalistas)
3. Expansão e Crescimento
Quando usar:
- Abertura de filiais
- Lançamento de novos produtos
- Entrada em novos mercados
- Aquisição de outras empresas
- Internacionalização
Produtos adequados:
- Empréstimo para expansão ( Business loan : bank and fintech )
- Linhas de desenvolvimento regional
- Crédito para exportação
- Private equity/Venture capital
- Debêntures
4. Reestruturação Financeira
Quando usar:
- Renegociar dívidas existentes
- Alongar prazos de pagamento
- Reduzir custos financeiros
- Consolidar passivos
- Melhorar fluxo de caixa
Produtos adequados:
- Empréstimo para quitação
- Renegociação de dívidas
- Crédito com garantia de recebíveis
- Operações estruturadas
Quando o empresário deveria evitar aplicar para o empréstimo empresarial?
A aplicação de um empréstimo nem sempre é a solução ideal para o empresário. Eu conheci muitos empresários que aplicaram para um empréstimo quando a sua empresa já estava altamente endividada. Na minha opinião, empresas que estão em ciclo de endividamento devem evitar novos empréstimos de qualquer maneira. Muitas vezes o valor dos juros ou melhor, o custo financeiro do empréstimo pode comprometer ainda mais significativamente o resultado operacional da empresa, levando a empresa a se endividar cada vez mais. Ao mesmo tempo, muitas empresas que possuem problemas estruturais de rentabilidade podem pegar um empréstimo somente para mascarar o resultado financeiro e dessa maneira esconder os reais problemas que a empresa possui. Esses problemas podem ser problemas estruturais, de processo ou problemas fundamentais.
Muitos empresários também fazem aplicação de empréstimo para depois retirar esse dinheiro para os sócios, como se fosse distribuição dos lucros. O empresário acaba se esquecendo que empréstimo não é renda e não deve de forma nenhuma ser distribuída como dividendos. Usar empréstimo para pagamento de pro labore ou distribuição de lucros para os acionistas é uma loucura.
Eu conheci poucos empresários que entendem a lógica do cálculo do retorno esperado de um empréstimo. Deixa eu tentar explicar. O valor esperado de retorno de um empréstimo tem que ser maior do que o custo do empréstimo. Se o projeto financiado não gerar retorno suficiente para cobrir os juros, não vale a pena. Quando a empresa está operando em momentos de grande incerteza de mercado e consequentemente as projeções de receita são muito instáveis, ou o país em qual a empresa está operando está em períodos de crise econômica severa, não é aconselhável aplicar para empréstimos.
Eu também conheci empresários que buscaram financiamento e aplicação de empréstimo para financiar projetos de altíssimo risco, que não tinha planejamento adequado. Esses investimentos especulativos, geralmente sem projeto de estudo de viabilidade são uma receita para o desastre. Conheci empresários que perderam tudo. Assim como já mencionei anteriormente, o empréstimo também não é a única solução para uma empresa. Tem muitos casos que oturas alternativas são mais adequadas, como por exemplo, negociação de prazo com fornecedor ou até mesmo antecipação de recebíveis, pode ser preferível.
Quais são os fatores importantes quando o empresário aplica para um empréstimo?
O fator mais importante que você, empresário, deve levar em consideração quando você aplica para um empréstimo empresarial é a capacidade de pagamento. Você nunca deve fazer uma aplicação para um empréstimo se a empresa não terá capacidade de pagar esse empréstimo dê volta.Você não pode se esquecer de analisar o impacto dos juros desse empréstimo no resultado financeiro da sua empresa.
Muitos empresários acabam aceitando o empréstimo somente porque o dinheiro está disponível e dessa forma o empresário não compara diferentes ofertas do mercado e acabo escolhendo a solução mais cara.
Eu sempre recomendo os meus clientes a adequar o prazo de pagamento do empréstimo ao fluxo de caixa da empresa. É muito importante avaliar o impacto de prazos mais longos no custo total. Não pode ser esquecido de levar em consideração o efeito da sazonalidade na empresa. Em algumas situações, nos meses de pior faturamento, a empresa não terá condições de fazer o pagamento da parcela do empréstimo gerando incômodo e estresse financeiro além do pagamento de penalidades.
Muitos empresários esquecem de verificar a possibilidade de pagar o empréstimo antecipado. É muito importante entender essa possibilidade e ter a certeza que foi incluída como uma condição contratual.
Eu somente sugiro o empresário dar alguma garantia pessoal se realmente não há nenhuma outra opção disponível. Muitos empresários não entendem os riscos associados às garantias oferecidas aos credores. É muito importante evitar que a obtenção do empréstimo gere um ambiente super estressante na empresa em função da necessidade de ter que pagar as parcelas mensais do empréstimo.
É por isso que além da análise financeira, é muito importante definir objetivamente qual será o destino dos recursos desse empréstimo e não se esquecer de ter um plano de utilização bem estruturado. Outra questão é, o que acontece quando a empresa atrasa o pagamento da parcela do empréstimo? É muito importante entender quais são as penalidades por atraso. Mais uma vez eu vou salientar a importância de escolher o produto correto para a finalidade correta.
Atualmente, eu tenho um network de pessoas que trabalham em bancos tradicionais em diversos países. Eu acho muito importante manter um bom relacionamento com instituições financeiras. Agora, não adianta nada ter um bom relacionamento com pessoas em instituições financeiras e não cuidar da saúde financeira da empresa e também dos sócios.
Hoje em dia o critério de aplicação e aprovação de um empréstimo vale mais que o relacionamento.
É por isso que a documentação financeira da empresa deve estar sempre atualizada. Os demonstrativos financeiros devem estar em dia e bem organizados. É essencial sempre ter à disposição, imediata o controle atualizado de lucros e prejuízos.
Impactos do Empréstimo em Diferentes Fases da Empresa
Os empréstimos empresariais podem exercer impactos transformadores, tanto positivos quanto negativos, no desenvolvimento financeiro e operacional de uma organização, variando significativamente conforme o estágio de maturidade em que a empresa se encontra no seu ciclo de crescimento.
Fase Inicial (Startup)
Muitos empresários tentam aplicar para um empréstimo empresarial para começar o seu negócio próprio. Porém a taxa de sucesso é muito pequena em consequência da empresa não possuir nenhum histórico. Há algumas exceções à regra nos casos no qual o acionista da empresa possui bens disponíveis para dar como garantia. Em alguns países também há alguns esquemas com a ajuda do governo para ajudar o empresário e estimular o empreendedorismo no país. O empréstimo inicial pode ajudar a viabilizar o início das operações, permitir investimento em estrutura básica e também possibilitar testes de mercado. Porém, um empréstimo muito cedo, na fase inicial da empresa, pode criar uma pressão financeira antes da estabilização da receita além de criar um risco de endividamento precoce da empresa.
Fase de Crescimento
Já quando a empresa está em fase de crescimento ( média de 12 a 24 meses – varia de acordo com o modelo de negócio ) a aplicação de um empréstimo pode acelerar a expansão do negócio. É muito importante lembrar que uma vez que a empresa está na fase de crescimento, essa empresa já provou ( pelo menos tecnicamente ) que o modelo de negócio funciona. Muitas empresas não podem perder a oportunidade de aproveitar as oportunidades de mercado. Um empréstimo pode ser uma opção para financiar o aumento da capacidade produtiva de uma empresa. Porém, é muito importante evitar que a empresa cresça descontroladamente acumulando muitas dívidas. Existem inúmeros casos no qual a empresa corre um risco de estar sobre-endividada.
Uma empresa sobre-endividada é aquela empresa que possui um nível de endividamento tão elevado que compromete sua capacidade de honrar suas obrigações financeiras. Isso significa basicamente que as dívidas da empresa superam sua capacidade de geração de receita, tornando difícil ou impossível pagar os credores. Na maioria das vezes, o total das dívidas é superior a capacidade de pagamento ou até mesmo superior ao valor dos ativos da empresa.
Na minha carreira profissional, eu conheci casos no qual a empresa tinha dificuldades em gerar fluxo de caixa suficiente para cobrir os pagamentos de juros e o principal da dívida. Desta maneira, outros credores como bancos criam resistência em oferecer novos empréstimos ou crédito para esta empresa, agravando ainda mais a situação financeira. Esta sobrecarga de dívida pode consequentemente levar a processos de recuperação judicial ou falência.
Fase de maturidade
Quando a empresa atinge uma fase mais estável, ela consegue mais facilmente obter um empréstimo. Muitas empresas aplicam para empréstimo nesta fase para financiar a modernização da empresa e atualizar seus sistemas e tecnologia. Outras empresas buscam a possibilidade de diversificar produto, serviço ou mercado. Eu já conheci também alguns casos no qual a empresa fez aplicação para o empréstimo para permitir uma reestruturação estratégica da empresa.
Porém, há que deixar claro qual a finalidade do empréstimo durante essa fase. A aplicação de um empréstimo pode mascarar o declínio do negócio. Muitos empresários não acompanham a velocidade da inovação nessa fase e acabam acomodando. É muito perigoso depender de crédito para manter as operações da empresa durante a fase da maturidade.
Muitos credores esperam que a empresa entre com uma parcela de capital próprio nos casos de modernização. Afinal de contas, a empresa já opera durante anos e ela deveria ter um lucro retido já na forma de capital de caixa disponível para qualquer eventualidade.
Fase de declinio
Esta fase é a fase mais perigosa para uma empresa obter empréstimo. Um empréstimo pode proporcionar fôlego financeiro para a empresa para uma possível reestruturação ou até mesmo permitir o investimento em novas estratégias. Muitas empresas necessitam viabilizar uma mudança o mais rápido possível para superar esta fase de declinio. Contudo, um empréstimo nessa fase pode apenas adiar muitos problemas inevitáveis. Ainda assim, pode aumentar o endividamento da empresa no momento em que a empresa está mais frágil, com risco de agravar a situação financeira se não houver mudança estrutural junto com a utilização do empréstimo. Na minha opinião ,o empresário deve pensar diversas vezes se ele vai realmente aplicar para o empréstimo na fase de declinio e evitar de qualquer forma dar um bem pessoal como garantia.
Fase de recuperação
A fase de recuperação, muitas vezes conhecida como turnaround, revival ou restructuring não é uma fase sequencial do ciclo de crescimento da empresa. Na realidade, a fase de recuperação é o processo no qual uma empresa tenta reverter uma tendência negativa e voltar a crescer ou a estabilizar os indicadores chaves da empresa. É uma intervenção que busca recuperar a empresa, saindo do declínio e levando a empresa de volta ou para a fase de maturidade ou fase de crescimento. Ou seja, o objetivo final é recuperar a empresa após a implementação de ações estratégicas. Para você ter ideia de que tipo de ações estamos falando, vou dar alguns exemplos : corte de custo direto e indireto e aumento de produtividade(aumento de eficiência operacional), reposicionamento de produto ou mercado, inovação, reestruturação financeira como renegociação de dívida e capitalização, aquisições ou alianças com outras empresas ou venda de ativos não essenciais e por último mudança de liderança ou na gestão da empresa.
Nas empresas na qual eu participei diretamente da recuperação, eu somente aconselhei tomar empréstimo durante a reestruturação da empresa quando este empréstimo seria utilizado para financiar somente ações estratégicas que poderiam aumentar a geração de caixa imediatamente ou reduzem custos operacionais da empresa. Caso contrário, este empréstimo poderia agravar ainda mais a situação da empresa e elevar o risco de insolvência.
Novamente, eu gostaria de salientar a importância de entender a finalidade exata do empréstimo. Como por exemplo: capital de giro temporário, pagamento de fornecedor, investimento que gera receita ou pagamento e renegociação de dívidas. Se o empréstimo melhora a capacidade da empresa de gerar caixa no curto e médio prazo, eu aconselho fazer a aplicação. Caso contrário, não. É melhor evitar. Não adianta nada também fazer a aplicação do empréstimo e não ter um plano claro de reestruturação com metas claras, quem serão os responsáveis e cronograma de implementação. Nesse caso, é muito importante que o empresário e o consultor preparem projeções de fluxo de caixa com cenários realistas. Também é importante o empresário buscar outras alternativas menos custiosas e com menos obrigações como, por exemplo : aporte societário, venda de ativos, desconto de fatura e outros investidores.
Por outro lado, eu também participei da recuperação de empresas que obteram empréstimos que permitiram financiar ações que aceleraram a recuperação da empresa, como por exemplo :compra de matéria-prima estratégica, marketing para retomada de vendas, entre outras. A obtenção de um empréstimo pode evitar a interrupção das operações, preservando o valor da empresa. Enquanto isso, o empresário e o consultor podem ganhar tempo para implementar essas ações estratégicas de recuperação.
Se o empresário decidiu realmente aplicar para o empréstimo, é muito importante pedir Um período de carência porque parcelas altas podem sufocar o caixa da empresa. A negociação da taxa de juros é essencial, uma vez que a taxa alta pode reduzir o efeito positivo do dinheiro do caixa recebido.
Como já mencionei anteriormente, é muito importante analisar muito bem a situação quando o credor pede garantias, uma vez que garantias oferecidas a credores podem, no final, comprometer o patrimônio do empresário se a recuperação não ocorrer.
Para resumir A obtenção de empréstimo na fase de recuperação, somente contrate um empréstimo se for parte integral de um plano de estruturação viável. Ou seja, financiar ações que aumentem receita ou reduzem o custo de forma mensurável. E se as condições de crédito, como carência, prazo e taxa de juros, não comprometerem a operação. Caso contrário, priorize a renegociação, aporte de capital ou outras medidas operacionais antes de assumir uma nova dívida.
Resumo da obtenção de empréstimo durante as fases de ciclo de crescimento da empresa
Resumidamente, o empréstimo empresarial funciona como uma alavancagem financeira. O empresário pode ter o uso de capital de terceiros como bancos e outros credores para buscar potencializar os resultados da sua empresa preservando o seu capital próprio para outras necessidades. Existem diversos casos de sucesso no qual a aplicação de um empréstimo possibilitou o crescimento mais rápido da empresa que apenas estava trabalhando com recursos próprios. Porém, é muito importante analisar o impacto desse empréstimo no resultado financeiro da empresa, porque o custo financeiro de um empréstimo vai reduzir a margem de lucro da empresa. Deve-se evitar a qualquer custo que essa empresa fique super endividada e evitar uma pressão constante do pagamento do empréstimo sobre o fluxo de caixa da empresa.
Como os bancos fazem análise? Quais são os métodos de análise e cálculos utilizados para decidir a aprovação da aplicação de um empréstimo empresarial?
Muitos bancos oferecem a aplicação de um empréstimo automaticamente no sistema via web. Muitas empresas possuem um empréstimo já pré-aprovado no sistema do cliente. Contudo é muito importante que o empresário entenda quais são os métodos de análise utilizados pelos credores como bancos.
Eu gostaria de dividir os métodos de análise dos dados pelos credores em 8 items abaixo:
Métodos de análise utilizados pelos credores
- Análise dos demonstrativos financeiros
É muito importante que o empresário tenha a contabilidade oficial da empresa atualizada. Os credores vão analisar o balanço patrimonial , a demonstração do resultado do lucro do exercício da empresa e, em alguns casos também o fluxo de caixa. ( mesmo que não esteja incluída na contabilidade). Em relação ao balanço patrimonial, é muito importante entender como estão distribuído os ativos e passivos da empresa ou melhor, como estão distribuídos os direitos e as obrigações da empresa.
É também muito importante entender como está estruturado os bens ( ativos ) entre bens mobilizados ou imobilizados. Já em relação às obrigações da empresa, é muito importante entender se a empresa tem contas a pagar, empréstimos e quais são as obrigações a curto prazo e longo prazo.
A demonstração de resultado do exercício da empresa é muito importante para analisar a capacidade de geração de lucro da empresa. A probabilidade de um credor fazer um empréstimo para uma empresa dando prejuízo é muito pequena. Os credores estão buscando, geralmente, fazer empréstimos para empresas que estão buscando a expansão e crescimento do negócio. Desta maneira, essas empresas têm que apresentar um histórico positivo. Na minha opinião, este histórico deve ser de pelo menos dois anos.
O fluxo de caixa é extremamente importante para verificar a capacidade da empresa de pagar o empréstimo. É muito importante entender como os administradores da empresa tem gerenciado o fluxo de caixa da empresa. Se o credor percebe, por exemplo, que os administradores/acionistas da empresa estão fazendo retiradas excessivas ou não estão gerenciando bem o caixa da empresa, é muito provável que os credores não aprovem o empréstimo.
- Índices financeiros
Os índices mais utilizados por credores para analisar uma aplicação de empréstimo de uma empresa são : liquidez, endividamento, rentabilidade, giro de estoque e prazo médio de recebimento e pagamento.
No caso da liquidez, o credor está interessado em saber a capacidade de pagamento de curto prazo. Nesse caso , será analisado qual a proporção entre os ativos circulantes e o passivo circulante. Para melhorar o entendimento, a empresa está gerando o suficiente de caixa para pagar as suas obrigações de curto prazo ?
Em relação ao endividamento, o credor estará interessado em saber qual é a proporção de capital próprio que os acionistas, os proprietários investiram na empresa e o que foi capital de terceiro.
O capital de terceiros refere-se aos recursos financeiros que uma empresa obtém de fontes externas, que não pertencem aos proprietários ou acionistas da empresa. Esse capital é utilizado para financiar as operações e investimentos da empresa. Geralmente são: empréstimos bancários, outros contratos com instituição financeira ou de crédito ( financiamento), créditos fornecidos por fornecedores, e outras formas de crédito, como por exemplo, leasing.
Em relação ao status do exercício, ou melhor, a rentabilidade do negócio, é muito importante entender se a empresa consegue gerar lucro ou não. Se a empresa não estiver gerando lucro, é muito importante entender a razão.
Se a empresa está vendendo produtos, é muito importante entender o prazo médio de recebimento e pagamento do estoque.
- Os 5 C’s do crédito
Muitos credores utilizam a técnica de análise dos 5 C’s do credito. Basicamente, o credor vai analisar do aplicante, neste caso a empresa, 5 Cs a seguir.:
- Caráter: histórico de pagamentos e reputação no mercado
- Capacidade: habilidade de gerar receita suficiente
- Capital: recursos próprios investidos no negócio
- Colateral: garantias oferecidas
- Condições: fatores externos que afetam o negócio
- Análise do limite ideal de endividamento
Eu costumo dizer que uma pequena empresa pode se endividar em no maximo em 30% do faturamento anual ( prazo de pagamento de 5 anos). Obviamente, esse percentual varia de empresa para empresa , modelo de negócio, setor que a empresa atua e condições/ características do empréstimo.
Fazendo um cálculo simples, vamos dizer que a sua empresa tem um faturamento de £ 100,000. Neste caso, o valor máximo do empréstimo seria de £ 30,000.
Como já mencionei diversas vezes anteriormente, é muito importante fazer uma análise do impacto dos juros no resultado operacional da empresa. Se a empresa não tiver capacidade financeira para pagar o empréstimo, é melhor não fazer a aplicação e buscar uma outra saída. O superendividamento só complica a vida da empresa e do empresário.
- Análise de viabilidade do projeto
È muito importante calcular o retorno sobre o investimento do projeto que o credor vai financiar. O empresário deve saber qual vai ser o tempo necessário para recuperar o investimento, mais conhecido em inglês como payback.
- Análise de crédito comportamental
Muitos credores querem saber um pouco mais sobre o histórico de relacionamento que o empresário tem com bancos e outras instituições financeiras. E o perfil do empresário, novamente, é muito importante, considerando que se o empresário não gerencia a vida pessoal corretamente, terá uma grande possibilidade de não ser gerenciada corretamente. Se o empresário não paga as suas contas em dia, é muito provável que a empresa também não pague as contas em dia. Muitos credores querem saber se o empresário já pegou um empréstimo no passado e cumpriu a pontualidade nos pagamentos anteriores. Eu já vi banco que, inclusive, analisou o relacionamento da empresa com fornecedores e clientes.
- Análise setorial e de mercado
Alguns credores têm mais preferência de alguns setores do que outros . Em alguns setores o credor prefere evitar em função do risco. Desta maneira, é muito importante o empresário pergunte para o credor antecipadamente se o banco tem alguma exigência, proibição ou impedimento em relação ao setor que a empresa dele atua.
- Análise Documental e Cadastral
É fundamental que a situação fiscal e tributária da empresa esteja em dia e não tenha valores a pagar. Todos os bancos tradicionais fazem uma consulta de crédito nas agências de referência. Se a empresa possui irregularidade jurídica e processos em aberto ou processos julgados e possui problemas legais, é muito provável que o credor não empreste o dinheiro.
Cálculos Importantes na Análise de Crédito
Segue abaixo uma descrição dos cálculos importantes que os credores( como bancos tradicionais )fazem nas empresas na hora da aplicação de um empréstimo.
1. Capacidade de Pagamento:
- Lucro antes dos impostos (-) Dividendos + Depreciação + amortização > 1.5 o valor do pagamento anual do parcelamento do empréstimo.
Exemplo :
Lucro antes dos impostos = £ 100,000
Dividendos= £20,000
Depreciação = £ 5,000
Amortização = £0,00
Cálculo : £ 100,000 – £ 20,000 + £ 5,000 = £ 85,000
Faturamento da empresa £ 300,000
Emprestimo £ 60,000 ( 5 anos )
Juros anual 10 % ao ano.
Valor do pagamento do empréstimo anual £ 15,828
£ 85,000 > 1.5 × £ 15,828 = £ 23,742.00
No nosso exemplo, o empréstimo de £ 60,000 seria aceito.
2. Grau de Endividamento:
- (Dívidas Totais ÷ Faturamento Anual) × 100% < 30%
Vamos calcular para o nosso exemplo:
£ 60,000 / £ 300,000 × 100 % = 20 % < 30%
No nosso exemplo, o grau de endividamento está de acordo.
3. Índice de Cobertura da Dívida:
- EBITDA ÷ (Juros + Amortizações) > 1,5 (recomendável)
Vamos calcular no nosso exemplo:
£ 100,000 ÷ (£6,000 + £ 9,828) = 6,31 > 1,5
4. Impacto do Empréstimo no Resultado:
A empresa tem que dar lucro suficiente para poder pagar o empréstimo.
- Lucro Antes do Empréstimo – Juros do Empréstimo = Lucro Após Empréstimo
- Se o resultado for negativo, o empréstimo provavelmente não é viável
Vou dar um exemplo:
Exemplo Negativo:
Uma empresa gera vendas anuais de £100,000 e tem um total de despesas administrativas e custos de £85,000. Ela solicita um empréstimo de £80,000 a ser pago em 12 meses, com uma taxa de juros de 30% ao ano. Vamos calcular o impacto no lucro e prejuízo da empresa antes e depois do empréstimo:
Antes do Empréstimo:
- Vendas Totais: £100,000
- (-) Despesas Administrativas e custos: £85,000
- Lucro Total: £15,000
Depois do Empréstimo de £80,000:
- Juros (30% ao ano): £24,000
- Vendas Totais: £100,000
- (-) Despesas Administrativas: £85,000
- (-) Juros do Empréstimo: £24,000
- Total de Despesas: £109,000
- Prejuízo Total: (£9,000)
Como você pode ver, o impacto do empréstimo na performance financeira da empresa é negativo. Nesse caso, o empréstimo não ajudaria o negócio de forma alguma.
Exemplo Positivo:
A mesma empresa solicita um empréstimo de £30,000 com o mesmo prazo (12 meses) e taxa de juros. Vamos calcular o lucro e prejuízo novamente:
Antes do Empréstimo:
- Vendas Totais: £100,000
- (-) Despesas Administrativas: £85,000
- Lucro Total: £15,000
Depois do Empréstimo de £30,000:
- Juros (30% ao ano): £9,000
- Vendas Totais: £100,000
- (-) Despesas Administrativas: £85,000
- (-) Juros do Empréstimo: £9,000
- Total de Despesas: £94,000
- Lucro Total: £6,000
Agora você pode ver que a empresa continua lucrativa. Esse é o cálculo que você sempre deve fazer antes de solicitar um empréstimo.
Comentários Importantes sobre Empréstimos
Uma vez que você compreenda a teoria acima sobre como o empréstimo funciona, eu gostaria de fazer alguns comentários:
- Empréstimo não é venda. Empréstimo não é renda e empréstimo não é doação
Você deve usar o empréstimo com cuidado e não gastá-lo como quiser. Já vi muitos diretores e acionistas de empresas solicitando empréstimos apenas para retirar o dinheiro como salário ou dividendos. Eles acabam pagando um preço muito alto para se pagarem. Inclusive, solicitar um empréstimo para esse motivo é inútil. A situação se torna ainda pior se a empresa não está gerando lucro.
- Certifique-se de que sua empresa pode arcar com os pagamentos do empréstimo.
Se a empresa não está gerando lucro, você pode acabar em um ciclo de endividamento. Um ciclo de endividamento é uma situação na qual a empresa possui tantos empréstimos e outras dívidas que nunca consegue pagar o valor total devido, já que os juros e os pagamentos são muito altos.
Isso significa que a empresa não gera dinheiro suficiente para cobrir as mensalidades do valor emprestado. Atrasar pagamentos também gera multas e taxas adicionais. Para empresas em atividade, o empréstimo deve ter um limite: não deve exceder uma fração adequada do volume de vendas, conforme a natureza do negócio.
Dicas para Solicitar um Empréstimo
O que Fazer:
- Entenda os diferentes tipos de empréstimos disponíveis;
- Verifique sempre as taxas de juros antes de assinar um contrato de empréstimo;
- Decida o prazo de pagamento do empréstimo (exemplo: 12, 24, 36, 48 ou 60 meses);
- Certifique-se de que sua empresa pode arcar com os pagamentos;
- Pesquise informações sobre o credor;
- Mantenha o controle atualizado do lucro e prejuízo da sua empresa;
- Defina o objetivo do empréstimo (exemplo: expandir o negócio, capital de giro, comprar ativos, pagar impostos, adquirir novos clientes, campanhas de marketing, cobrir custos pontuais, desenvolver uma propriedade, contratar mais funcionários);
- Consulte seu contador sobre as opções de empréstimo;
- Mantenha o relatório de crédito da sua empresa em boa situação.
O que Não Fazer:
- Não esqueça de calcular o maior valor que sua empresa pode arcar com o empréstimo;
- Não solicite empréstimos para financiar compras da empresa (tente aumentar os prazos de crédito antes);
- Não solicite empréstimos para cobrir faltas temporárias de caixa (tente um cheque especial primeiro ou overdraft);
- Não solicite empréstimos se sua empresa tiver valores altos ainda a receber de clientes (tente desconto de duplicatas);
- Não esqueça que seu histórico de crédito pessoal pode impactar na aprovação do empréstimo empresarial.



